Perdoa a minha sinceridade, mas eu não sei fingir o que não sou! (reflexão)

terça-feira, julho 24, 2018


   Vivemos cercados por tantas mentiras, por falsidades e joguinhos de interesses, que quando somos sinceros, assustamos os outros, porque estão desacostumado com a boa e velha honestidade.
   Nem todos sabem lidar com uma boa conversa onde os personagens estão despidos das suas máscaras. Em muitos casos, falar a verdade soa grotesco. E não é esta a intenção.
   A política da boa vizinhança é mais bem aceita. Afinal, ironicamente, preferimos interlocuções com aqueles que concordam com o que dizemos. Ser contrariado, sem vitimar-se, é para os fortes. E o mundo, em algumas vezes, faz-me crer, que em sua maioria, é habitado por aqueles que prezam o faz de conta.
   Lidar com a verdade, mesmo que num primeiro momento doa, nos impulsiona a resolver um problema e seguir nosso caminho. Somos nós que escolhemos se as verdades que nos sãos ditas doem ou não. Somos nós que escolhemos se queremos caminhar tacteando no escuro, ou simplesmente acender a luz e ver o que está bem diante dos nossos olhos.
   Ocultar realidades por medo de como seremos compreendidos ou por receio de ferir quem as escuta, é contentar-se com metades, com mentiras. E nem mesmo as mais piedosas, são justificáveis. Não temos em nossas mãos o poder de decidir o que machucará, escutando ou falando, o que é realidade.
   É impossível aceitar que na verdade, aquela dita com o coração, exista mais maldade do que a mentira, a falsidade, a utopia e a hipocrisia. O que me dói, é a confiança traída, o cristal quebrado, a escolha alheia daquilo que eu posso ou não lidar com serenidade.
   Por medo de nos revelarmos ou magoar aqueles que amamos, nós nos tornamos verdadeiros personagens de um mundo de faz de conta. Escondemos fatos, tentando agradar, esquecendo que a vida não é feita de algodão doce e que para que cheiremos o perfume inigualável de uma rosa, numa manhã qualquer de primavera, vez ou outra, podemos nos espetar em alguns espinhos.
   Relações verdadeiras não podem e nem devem ser solidificadas em pilares construídos com mentiras, pudores e receios. A superficialidade não me atrai. Ao contrário, causa-me repulsa.
   Eu acredito que com pequenas mentiras, perdemos grandes pessoas. Pois a mim, elas perdem agindo com falsidade. Como li um dia desses, por aí, ”a verdade crua sempre será mais bonita que qualquer mentira produzida”.

Texto de Karol Pinto (publicado originalmente aqui)

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