O Quarto da Mãe, de Sérgio Mendes (divulgação)

segunda-feira, maio 28, 2018

Ficção Portuguesa
Formato: e-wook / capa mole
N.º páginas: 212
PVP: 4,99€ / 14,40 €

A esperança e a música como salvação, num extraordinário romance de estreia.

   No dia 24 de maio, a Coolbooks publicou O quarto da mãe, o extraordinário romance de estreia da autoria do escritor vimaranense Sérgio Mendes.
   Num livro com uma carga dramática intensa, o autor conduz os leitores numa viagem comovente ao universo de uma criança que convive de perto com a loucura que se vai apoderando da mãe. Do pequeno apartamento em que vivem, no início dos anos 80, é também feito um retrato cru de um país e de uma época de profundas assimetrias. Através dos olhos do protagonista de 10 anos, Sérgio Mendes faz-nos entrar n’O quarto da Mãe, e a reconhecer que, mesmo em contextos de privação extrema, há sempre lugar para a esperança, para o amor e para a poesia, ou, neste caso, para a música, que aos poucos se torna o único elo de comunicação entre mãe e filho, uma ponta de novelo para a fuga do labirinto.
   A forte componente poética da narrativa abre brechas luminosas nesta história pungente. Tendo crescido num ambiente marcadamente literário (o autor é filho do premiado poeta Firmino Mendes), Sérgio Mendes cedo percebeu que, por vezes, a Arte é a única forma de salvação.
   Este é o primeiro romance de Sérgio Mendes, depois de ter começado o ofício da escrita na poesia e, em 2015, ter sido o vencedor da 2ª edição do Prémio de Literatura Infantil Pingo Doce, com o livro Orlando – O caracol apaixonado.
   A Feira do Livro de Lisboa recebe a apresentação de O quarto da mãe, no dia 31 de maio, às 18:00, no espaço Autores que Nos Unem, do Grupo Porto Editora.

SINOPSE
   Eu sei que a mãe está doente. Às vezes, grita e dá murros no teclado, fala sozinha na varanda. Eu sei que faz isso por ter sofrido muito em Leninegrado. Ela disse-me que comia gelo e sementes que apanhava no pátio. Disse-me que perdeu o pai e a mãe naquele inverno.
   O meu pai fugiu para França, levou a G3, mas envia-nos dinheiro todos os meses. A mãe deixou de dar aulas de piano e não faz de comer.
   Levanta-se depois do meio-dia e eu nunca ouço a porta do quarto a abrir. Fecha-se na casa de banho e aparece tal e qual como no dia anterior, vestida com madeixas louras e sem o meu sorriso. A mãe tem as coxas e os braços cheios de negras. Não dizemos bom-dia nem ela diz o meu nome. Senta-se de cócoras diante da janela grande da sala e fuma o primeiro cigarro da manhã. Fica sentada a olhar os campos e os choupos e eu olho-a atrás das duas portas vidradas. Se ela começa a chorar ou a tossir pelo fumo que lhe esconde o rosto, começo a correr pela alcatifa e peço-lhe:
   - Mãe, vamos comprar pão.
   Ela levanta-se, abre a bolsa para contar o dinheiro e vamos de mãos dadas até à pastelaria, atravessando jardins floridos de cardeais e amores perfeitos.

O AUTOR
   Nasceu em 1974. Cresceu em Guimarães, no meio dos livros de poesia e filosofia do pai, nas florestas e campos da aldeia da avó materna. Estudou Física e escreveu poesia durante a maior parte da sua vida, até ao dia que teve um sonho com Sophia. Tem duas filhas, Margarida e Sofia, com quem vive na Maia.

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